segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Estudo de Jó - I

     A vida é difícil. Esta declaração incisiva representa uma variação acurada da nossa existência neste planeta. Quando o escritor no livro bíblico chamado Jó tomou sua caneta para escrever esta história, ele poderia ter começado com uma sentença praticamente similar e igualmente incisiva: "a vida é injusta".
     A história de Jó não só é relevante, como representa uma das mais antigas em melhores composições literárias de todos os tempos. Alguns a datariam dos dias de Gênesis. Em vista da idade avançada de Jó, ela se enquadra na categoria das histórias escritas durante os dias dos patriarcas.

UMA ANÁLISE RÁPIDA E SÓRDIDA
      Jó era um homem de piedade genuína, incomparável. O homem de merecida prosperidade. Homem piedoso, extremamente rico, excelente marido e pai fiel. Devido a uma brutal e súbita série de calamidades, Jó ficou reduzido a uma massa retorcida de prostração e sofrimento. O extraordinário acúmulo de desastres que o assaltaram teria sido suficiente para acabar com qualquer um de nós hoje.
     Jó vai à falência, fica sem lar, indefeso e sem filhos. Vê-se junto às sepulturas novas de seus filhos numa colina partida pelo vento. Sua mulher soluça ao seu lado enquanto se ajoelha perto do marido, tendo acabado de ouvi-lo dizer: "O Senhor o deu e o Senhor tomou; bendito seja o nome do Senhor!" (1.21). Ela se inclina sobre ele e sussurra em segredo: "Amaldiçoa a Deus e morre" (2.9). Faça uma pausa e reflita sobre a tristeza do casal - lembre-se também de que este homem nada fizera para merecer uma dor assim insuportável.
     Miséria e mistério são acrescentados ao insulto e à injúria dos desastres de Jó na vida real. Enquanto fica ali sentado, coberto de úlceras e faz cheias de pus pelo corpo, as quais provocam febre de uma coceira enlouquecedora e incessante, e ele olha para o rosto de três amigos que entram em cena. Estes ficam sentados, olhando para o homem durante sete dias e sete noites, sem pronunciar qualquer palavra.
     Infelizmente, não permanece em silêncio. Quando afinal falam, não tem nada a dizer se não atribuir culpa, fazer acusações e dirigiram insultos. Sua miséria transforma-se em mistério diante do silêncio de Deus. Se as palavras dos supostos amigos são difíceis de ouvir, o silêncio de Deus torna-se absolutamente intolerável.

VAMOS VOLTAR A COMEÇAR DE NOVO
      A história começa com o currículo notável de um homem excelente. Jó pode tornar-se nosso herói da perseverança, mais devemos lembrar que ele é apenas um homem e de não um super-homem. Não um anjo em corpo humano. É somente um homem (vs. 1-5).
     Naquele ponto de ele havia acumulado um grande número de bens. Acima de tudo isso. Jó possuía uma família feliz e saudável, com dez filhos adultos morando nas proximidades. Jó tinha controlado tudo, e surpreendentemente ninguém o criticava porque não havia nada criticar sobre ele. Jó exercia controle total de tudo.
     Você vai notar que ele tinha suas preocupações (vs. 4,5).
     A oferecer as ofertas queimadas em nome de cada jovem adulto, e ele se preocupava com a idéia de que poderia haver no coração deles uma pitada de desobediência, ou que talvez um deles tivesse contado uma piada vulgar durante seus encontros freqüentes. Jó é profundamente zeloso - espiritualmente sensível não só em relação à sua vida, mais do que se referia à coerência da vida de seus filhos. Homem de coração. Puro. Verdadeiro. Sacerdote fiel. Que homem!

A CENA MUDA
     Os versículos 1 a 5 estão cheios de boas notícias, bênçãos maravilhosas, integridade nos negócios, pureza de coração, fidelidade de vida. O homem é espiritualmente maduro, diligente no lar e respeitado em sua profissão.
     Mas, outra cena se abre para nós, a qual é desconhecida de Jó. Coisas semelhantes também ocorrem em nossas vidas. Quando não percebemos, Deus executa planos que nos surpreende e, ocasionalmente, nos choca. Ele permite que aconteçam coisas que não esperamos. Sem o conhecimento de Jó, algo ocorre no plano celestial.
     Presente entre os anjos encontra-se um intruso. Ele é Satanás, que acusa dia e noite o povo de Deus. O acusador aparece de repente entre os outros anjos.
     Ele tem personalidade e estava envolvido numa tarefa incessante de destruir o povo de Deus e opor-se ao plano divino. É este insidioso adversário que encontramos de pelo céu entre o grupo de servos angélicos fiéis.

UM PLANO INSIDIOSO SUGERIDO POR SATANÁS
     A partir do versículo 7 até o versículo 12, temos um diálogo muito interessante. Você não vai encontrá-lo em nenhum outro livro da bíblia. O Senhor Deus vê o intruso e fala com ele: "donde vens?".
     A resposta de Satanás é breve e parece atrevida: "de rodear a terra e passear por ela" (1.7).
     O Senhor então indaga: "observaste o meu servo Jó?" (1.8). Que o título magnífico Deus deu a Jó! "Meu Servo". Ele poderia ter sido considerado o "maior de todos os homens do oriente" (1.3), mas o fato maravilhoso sobre Jó é que era servo de Deus. Embora muito conhecido em toda parte, não era uma celebridade os olhos de Deus. Não havia orgulho no coração do homem. A variação de Deus é impressionante: "por que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mau" (1.8).
     Ao ouvir a palavra mal, a fonte do mal responde: "Porventura, Jó teme a Deus em vão? (1.9). Em nossas palavras: ”Olhe, Deus, admita o seu tratamento dele com luvas de pelica!" o acusador continua: "Acaso não o cercaste com sebe, a ele, a sua casa e a tudo quando tem?" (1.10).
     Examinemos a que a personalidade do acusador. Sabemos que ele tem um intelecto por que conversa com Senhor. Vemos que Satanás tem emoções para mostrar antagonismo em relação à Jó. Possui também vontade porque pretende destruir Jó, na esperança de desacreditar Deus. A grande esperança de Satanás é arrasar Jó (1.11)
     É um plano astucioso, mas também injusto. Jó não merece que era a sugestão de maus-tratos. Ele certamente andou com Deus em seus anos adultos. É agora o melhor dos melhores, "o maior de todos os do oriente". Além de tudo, Jó é um servo de Deus. Mais nada disso impressiona Satanás. Suspeitas malignas investigam sua conspiração insidiosa: "Se quiser saber do que ele realmente a efeito, retire todo esse tratamento privilegiado e essa proteção total. remova dele o verniz do conforto e verá que imediatamente se voltará contra ele".
     Veja o bilhete de permissão que Deus entrega a Satanás (v.12).
     Satanás saio da presença do Senhor com um risinho sinistro. Lembre-se de que Jó nada sabia desse diálogo.

QUATRO PRINCÍPIOS QUE PERMANECEM VERDADEIROS ATÉ HOJE:

1. Encontramos um inimigo que não podemos ver, mas ele é real;.
2. Suportamos provações imerecidas, mas que são permitidas;
3. Há um plano que não compreenderemos, mais que é o melhor;
4. Sofremos conseqüências que não esperávamos, mas que são necessárias.

     Há muito mais na saga de Jó. Quanto mais a história se desenrola tanto mais você vai compreender que a vida não é só difícil, ela é injusta.
     O silêncio da voz de Deus faz você pensar se ele está mesmo longe. A ausência da presença de Deus fará você imaginar se ele sequer se importa. Ele está perto. Ele se importa.


Continuaremos com este estudo...


A Graça e a Paz do Senhor Jesus.