quinta-feira, 22 de maio de 2014

O Cristão Espiritual e a Política

"Recebi a Seguinte Pergunta:
Olá meu querido e precioso pastor Marcelo, sou da videira aqui de São Paulo e tenho uma dúvida, sou líder, sempre vejo suas postagens que dizem respeito a essa pouca vergonha que estamos vivendo aqui. Entretanto, um membro da minha célula diz que no cursão, um ministrante disse na sala algo assim: “Não quero ninguém postando nada contra o governo, nada que exponha nosso atual governo”. Eu me senti envergonhada, pois o membro da célula é meu liderado e via minhas postagens. Me senti uma rebelde. Aqui na sua página vejo o senhor que é nosso referencial postando coisas relacionadas a política no Brasil e estou confusa!

A minha resposta a essa querida irmã em linhas gerais foi a seguinte – ampliei um pouco mais os argumentos para melhor aprofundar o assunto.

A Autoridade Numa Democracia
A Escritura Sagrada afirma que devemos respeitar e nos submeter às autoridades constituídas pois “toda autoridade é ordenada por Deus”. Não apenas a Presidência da República, Governadores e Prefeitos mas até o Guarda de Trânsito ou mesmo um irmão que foi constituído para organizar o estacionamento no prédio da Igreja. Portanto, autoridade é um PRINCÍPIO não uma pessoa. Há alguns anos atrás, uma semana após as eleições eu estava abastecendo meu carro em São Paulo e um frentista falava muitas coisas horríveis do novo Governo. Assim eu perguntei em quem ele acabara de votar. Para minha surpresa ele criticava exatamente quem ele acabava de colocar na posição de Presidente da República. Eu me indignei grandemente e disse àquele cidadão: Veja bem meu Senhor, eu não votei na mesma pessoa que o senhor mas eu torço, apoio e vou falar bem dele pelo bem do Brasil. Me estranha muito eu que não votei apoiar e o senhor que votou já estar falando mal sem nem ter dado tempo do sujeito trabalhar! O frentista ficou espantado com a minha resposta! Devemos portanto evitar conversas pecaminosas que são apenas destrutivas e negativas.

Numa Democracia as autoridades mais evidentes são nessa ordem: primeiro a Constituição do País, em segundo a voz do povo ouvida nas urnas e em terceiro o poder Executivo, escolhido por esse povo para representa-lo. Muitas vezes há uma falta de clareza de posicionamento da Igreja sobre esse assunto. Muitos se sentem carnais em falar de política o que é um gravíssimo erro. Pensam que devemos apenas orar. A Escritura entretanto afirma que “quando o justo se cala o mal prospera” e “aquele que pode fazer o bem e não faz, comete pecado”. Devemos sim orar, esperar e trabalhar por um genuíno avivamento e não ter expectativas no mundo, mas devemos fazer isso sem nos acomodar e abdicar da função de salgar que nos foi confiada.

Nunca Fazer Política Partidária Dentro da Igreja
Na Casa de Deus nunca devemos apoiar um único partido nos unindo a ele e fazendo a Igreja de Cristo ser identificada com esse ou aquele partido político. Isso é desastroso e pecaminoso! Devemos sim apoiar e ser claros quanto a PRINCÍPIOS, VALORES e POLÍTICAS PÚBLICAS para o bem do país. Nesse sentido, em ano de eleições devemos sim avaliar cada Governo e os demais Representantes do Legislativo que nos representam. Especialmente nesse ano quando um mesmo partido já está por DOZE ANOS governando a nação e corremos o risco de ter mais DOZE ANOS DO MESMO PARTIDO. Alguns pontos pelo que devemos nos posicionar claramente:
1 – Contra a Corrupção em todas as escalas e por uma REFORMA POLÍTICA que mude a maneira do Governo formar maioria no Parlamento sem distribuir favores, aceitar emendas bilionárias no orçamento federal e colocar indicados incompetentes nas Estatais.
2 – Por uma REFORMA OUSADA NA EDUCAÇÃO que valorize o mérito de bons professores e obrigue a reciclagem daqueles que não são aprovados por critérios justos.
3 – Por uma REFORMA OUSADA em toda a INFRAESTRUTURA do país, estradas, portos, ferrovias, aeroportos e produção de energia. Se o Estado não tem dinheiro que se privatize, mas não podemos aceitar mais esse estado de coisas.
4 – Por uma REFORMA FISCAL que melhore a competitividade de nossas Industrias e nossos produtos para exportação e desafogue o país dessa carga tributária que é uma das maiores do mundo e nos faz pagar caro por tudo o que compramos sem ter nenhum benefício disso na hora que precisamos de escolas, hospitais, estradas, etc.
5 – Por uma REFORMA NA ECONOMIA que mantenha os ganhos sociais do Bolsa Família e outros programas federais mas SEM DESEQUILIBRAR AS CONTAS DO GOVERNO. Esse descontrole fiscal é um dos responsáveis pela inflação e juros crescentes. Aliado a isso o país precisa abrir sua economia para Acordos Comerciais ao modelo do que todos os países que estão prosperando fizeram.
6 - Por uma REFORMA NA SAÚDE que dê condições de trabalho a médicos e enfermeiros e dote o interior de postos de atendimento, hospitais decentes com o mesmo "PADRÃO FIFA".
7 – Por alternância democrática que impeça partidos políticos de se tornarem donos das estatais criando nelas e dentro dos Ministérios e nos dezenas de milhares de cargos federais um lugar de CORRUPÇÃO, APARELHAMENTO E ABUSO.
Tudo isso é SUPRAPARTIDÁRIO, isto é, vai além de qualquer partido político. Isso é pelo BEM DO BRASIL. Entretanto se avaliarmos este governo atual à luz desses PRINÍPIOS E VALORES ele é reprovado em TODOS os quesitos.

Ano de Eleições, Ano de Assumir uma Postura Cidadã e Avaliar o Governo e os Políticos que Nos Representam
Devemos honrar e respeitar nossos líderes em sua posição de autoridade. A Presidente Dilma nesse sentido está numa função única representando não ela própria, mas todos os brasileiros, a nação como um todo. Por outro lado, vivemos numa DEMOCRACIA onde a mais alta autoridade numa ELEIÇÃO é a voz do povo nas urnas. Este é um ano de eleição e o governo dessa pessoa investida de autoridade está sendo avaliado pelo povo. Como avaliar se não se pode conversar? Se não se pode expor o mal feito e as injustiças? As prioridades erradas? A má administração das Estatais, da Economia e a incompetência em dotar o país de infraestrutura? A falta completa de REFORMAS URGENTÍSSIMAS? Em ano de eleição devemos sim discutir tudo isso sem paixões e sem partidarismos. Sempre devemos ser pelo Reino e pela Igreja. Nossas discussões não podem apoiar UM PARTIDO POLÍTICO mas posições éticas, por justiça e pelo bem do povo. Finalmente, numa Igreja local, os liderados devem andar em harmonia com o pastor local, pois ele é o "pai da família" evitando assim atritos entre membros. Se for para causar conflitos na Igreja local é melhor calar-se. Nossa prioridade é amar os irmãos e andar em unidade e esse valor é inegociável! Se alguém sentir que está sendo incômodo, leia, informe-se e se decida na hora em que estiver sozinho diante da URNA. Lá é o lugar legítimo de exercer essa autoridade democrática de fazer limpeza e trazer mudanças pelo voto."

Pr. Marcelo Almeida (Videira Flórida, via Facebook)


A Graça e Paz do Senhor Jesus.