segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Santidade No Viver

"Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais outra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus." (1Co 10:31)

Um dos maiores impecilhos à paz interior, que o crente encontra em sua carreira cristã, é o hábito bastante comum de dividirmos nossa ida em duas áreas, a sagrada e a secular. Se aceitarmos que essas áreas existem à parte uma da utra, e que são moral e espiritualmente incompatíveis, e se, a despeito disso, somos obrigados, pelas necessidades da própria existência, a cruzarmos e entrecruzarmos constantemente uma área com a outra, ossa unidade interior tende a se desfazer, e passamos a ter uma vida dividida, em lugar de uma vida unificada.

Esse problema origina do fato de que nós, que seguimos a Cristo, habitamos em dois mundos ao mesmo tempo, o espiritual e o natural. Na qualidade de filhos de Adão, vivemos na terra sujeitos às limitações da carne e às fraquezas e males herdados pela natureza humana. O simples fato de viver entre os homens requer de nós anos de trabalho árduo, e muitos cuidados e atenções para com as coisas deste mundo. Em violento contraste com isso temos a vida do espírito. Ali desfrutamos de outra espécie de vida, uma vida superior; somos filhos de Deus; temos uma posição celestial e usufruímos de comunhão íntima com Cristo.

O próprio Senhor Jesus, que constitui o exemplo perfeito para nós, não conheceu uma vida dividida. Ele viveu nesta terra, na presença de Deus Pai, sem nenhuma tensão, desde a infância até sua morte na cruz. Deus aceitou a oferta de sua vida inteira, e não fez nenhuma distinção entre uma ação e outra. Ele fez um breve resumo de sua existência terrena, no que diz respeito ao seu relacionamento com o Pai, com as seguintes palavras: "Eu faço sempre o que lhe agrada" (Jo 8:29). Vivendo entre nós, seres humanos, sempre se mostrou perfeitamente controlado e tranquilo. Todas as pressões e sofrimentos que suportou derivam-se de sua posição de "portador" dos nossos pecados; jamais resultaram de incerteza moral ou de desajuste espiritual.

A exortação de Paulo, no sentido de que tudo façamos para a "Glória de Deus" (1Co 10:31), não é apenas mero idealismo religioso. É parte integrante da revelação de Deus ao homem, e precisa ser aceita como sendo a Palavra da verdade.

Os dons que operam no corpo de Cristo, que é a igreja variam muito. Um pregador qualquer não pode ser comparado com Lutero ou com Wesley, no que toca à sua utilidade individual para a Igreja e o mundo; entretanto, o trabalho do irmão menos dotado é tão santo quanto o do irmão mais abençoado e Deus aceita a ambos com igual prazer.

Um leigo não deve jamais imaginar que a sua tarefa humilde seja inferior ao trabalho de um ministro evangélico. Se ele permanecer na vocação em que foi chamado, o seu trabalho será tão santo quanto a obra de um ministro do evangelho. Não é o que o homem faz que determina se sua obra é sagrada ou secular, mas o fator determinante é o seu motivo. O motivo é tudo. Depois que o crente santificar ao Senhor em seu coração, daí por diante não fará mais nada como antes. Tudo quanto fizer será bom e aceitável a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Para um crente assim, a própria existência é um sacramento, e o mundo inteiro, um santuário. Ao executar suas tarefas, que nunca são fáceis, ouvirá vozes de serafins, que exclamam: "Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória." (Is 6:3).

(Retirado do livro "À Procura de Deus" do autor A. W. Tozer, capítulo 10)

A Graça e a Paz do Senhor Jesus.